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Auriculoterapia chinesa reduz estresse da enfermagem, aponta estudo clínico brasileiro

Escrito por Leonice Fumiko Sato Kurebayashi

Eficácia da Auriculoterapia Chinesa para o Estresse em Equipe de Enfermagem: ensaio clínico randomizado

Autores: Leonice Fumiko Sato Kurebayashi; Maria Júlia Paes da Silva Revista: Revista Latino-Americana de Enfermagem (RLAE) Ano: 2014 DOI: link Acesso ao artigo original: link

Resumo expandido

O estresse ocupacional entre profissionais de enfermagem é reconhecido como um dos principais problemas relacionados à saúde do trabalhador no ambiente hospitalar. Jornadas prolongadas, sobrecarga física e emocional, pressão assistencial, déficit de profissionais e contato constante com sofrimento humano contribuem significativamente para o adoecimento físico e psíquico da equipe de enfermagem.

Diante desse cenário, as Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PICS) vêm sendo amplamente investigadas como estratégias de cuidado integral, prevenção do adoecimento e promoção da qualidade de vida dos trabalhadores da saúde. Entre essas práticas, a auriculoterapia chinesa destaca-se por sua rápida aplicação, baixo custo, segurança e potencial terapêutico na redução do estresse, ansiedade e desequilíbrios emocionais.

O presente estudo teve como objetivo avaliar a eficácia da auriculoterapia chinesa com protocolo fixo e sem protocolo individualizado para redução dos níveis de estresse em profissionais de enfermagem.

Trata-se de um ensaio clínico randomizado simples-cego realizado com 175 profissionais de enfermagem de um hospital privado de São Paulo, divididos em três grupos: grupo controle sem intervenção, grupo auriculoterapia com protocolo fixo e grupo auriculoterapia sem protocolo, baseada em diagnóstico individualizado segundo a Medicina Tradicional Chinesa (MTC).

Os participantes apresentavam níveis médio e alto de estresse avaliados pela Lista de Sintomas de Stress de Vasconcelos (LSS). A intervenção consistiu em 12 sessões de auriculoterapia realizadas ao longo de seis semanas.

No grupo protocolo foram utilizados os pontos Shenmen, Tronco Cerebral, Rim, Yang do Fígado 1 e Yang do Fígado 2, tradicionalmente associados ao equilíbrio emocional, sedação do sistema nervoso, harmonização energética e controle do excesso de Yang do fígado segundo os princípios da Medicina Tradicional Chinesa.

Já no grupo sem protocolo, os pontos auriculares eram escolhidos individualmente conforme os sintomas apresentados e os diagnósticos energéticos identificados em cada sessão, reproduzindo a prática clínica tradicional da acupuntura e auriculoterapia chinesa.

Os resultados demonstraram diferenças estatisticamente significativas entre os grupos intervenção e o grupo controle após as 12 sessões e também no follow-up de 30 dias. Entretanto, o grupo sem protocolo apresentou resultados superiores ao grupo protocolar.

A auriculoterapia individualizada alcançou redução de aproximadamente 36% nos níveis de estresse, com tamanho de efeito muito elevado (Cohen d = 1,15), enquanto o grupo protocolo apresentou redução de 27% dos níveis de estresse. Entre os participantes com níveis elevados de estresse, os resultados foram ainda mais expressivos, alcançando tamanho de efeito extremamente elevado no grupo sem protocolo.

Os achados reforçam um importante debate metodológico nas pesquisas em Medicina Tradicional Chinesa: a limitação dos protocolos rígidos padronizados frente à abordagem individualizada característica da racionalidade terapêutica oriental.

O estudo evidencia que a personalização do tratamento, baseada nos padrões energéticos e sintomas individuais, amplia significativamente os resultados clínicos da auriculoterapia, aproximando a pesquisa científica da prática clínica real da MTC.

Além dos benefícios sobre o estresse ocupacional, os autores destacam o potencial da auriculoterapia para promoção da saúde mental, prevenção do burnout, melhoria da qualidade de vida e fortalecimento das estratégias de coping entre profissionais de enfermagem.

A pesquisa também possui grande relevância histórica e institucional por contribuir para a consolidação científica da auriculoterapia e da enfermagem integrativa no Brasil, reforçando o reconhecimento da acupuntura e auriculoterapia como especialidade do enfermeiro respaldada pelo COFEN.

Relevância do artigo

Este artigo possui elevada relevância científica por demonstrar, por meio de ensaio clínico randomizado, a eficácia da auriculoterapia chinesa na redução do estresse ocupacional em profissionais de enfermagem.

O estudo apresenta contribuição pioneira ao comparar a auriculoterapia protocolar com a auriculoterapia individualizada baseada na Medicina Tradicional Chinesa, evidenciando que abordagens terapêuticas personalizadas podem produzir resultados superiores aos protocolos fixos.

A pesquisa contribui diretamente para o fortalecimento das Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PICS), para a consolidação da enfermagem integrativa e para a construção de evidências científicas em auriculoterapia aplicada à saúde do trabalhador.

Além disso, o estudo reforça a importância da visão holística da Medicina Tradicional Chinesa, demonstrando que a individualização diagnóstica e terapêutica constitui um diferencial fundamental na efetividade clínica da acupuntura auricular.

Palavras-chave

Auriculoterapia; Estresse ocupacional; Enfermagem; Medicina Tradicional Chinesa; Acupuntura auricular; Saúde do trabalhador; Burnout; Práticas Integrativas e Complementares; PICS; Estresse; Enfermagem integrativa; Terapias complementares.

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