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Aplicabilidade da Auriculoterapia com Agulhas ou Sementes para Diminuição de Estresse em Profissionais de Enfermagem

Escrito por Leonice Fumiko Sato Kurebayashi

Estudo clínico randomizado demonstra a eficácia da auriculoterapia com agulhas e sementes na redução do estresse em profissionais de enfermagem, fortalecendo as evidências das PICS.

Autores: Leonice Fumiko Sato Kurebayashi, Juliana Rizzo Gnatta, Talita Pavarini Borges, Geysa Belisse, Suzana Coca, Akemi Minami, Telma Moreira Souza, Maria Júlia Paes da Silva Revista Científica: Revista da Escola de Enfermagem da USP (Rev Esc Enferm USP). 2012;46(1):89-95. Link para o artigo original (PDF da revista): link

Resumo Expandido

O estresse ocupacional é um dos principais problemas que afetam os profissionais de enfermagem em todo o mundo. A exposição contínua ao sofrimento humano, à dor, às emergências, à morte, à sobrecarga de trabalho e às exigências emocionais do cuidado torna a enfermagem uma das profissões mais vulneráveis ao desenvolvimento de sintomas físicos e psicológicos relacionados ao estresse. Nesse cenário, cresce o interesse por estratégias terapêuticas que possam promover equilíbrio emocional, melhorar a qualidade de vida e prevenir o adoecimento dos trabalhadores da saúde.

Este estudo teve como objetivo avaliar a aplicabilidade da auriculoterapia chinesa para redução dos níveis de estresse em profissionais de enfermagem e comparar a efetividade de dois métodos amplamente utilizados na prática clínica: a estimulação auricular por agulhas semipermanentes e a estimulação por sementes de mostarda. Trata-se de uma das primeiras pesquisas brasileiras a comparar diretamente diferentes materiais de estimulação auricular em um ensaio clínico randomizado.

A pesquisa foi realizada no Hospital Universitário da Universidade de São Paulo e envolveu 75 profissionais de enfermagem que apresentavam níveis médios ou elevados de estresse segundo a Lista de Sintomas de Estresse. Os participantes foram distribuídos aleatoriamente em três grupos: Grupo Controle (sem intervenção), Grupo Auriculoterapia com Agulhas e Grupo Auriculoterapia com Sementes. Os grupos de intervenção receberam oito sessões semanais utilizando os pontos Shenmen, Rim e Tronco Cerebral, tradicionalmente empregados para equilíbrio energético, relaxamento e redução do estresse.

As avaliações foram realizadas em quatro momentos: antes do início do tratamento, após quatro sessões, após oito sessões e quinze dias após o término das intervenções (follow-up). Essa metodologia permitiu não apenas verificar os efeitos imediatos da auriculoterapia, mas também analisar a manutenção dos resultados ao longo do tempo. Os resultados demonstraram que a auriculoterapia foi eficaz na redução dos níveis de estresse em profissionais de enfermagem. A análise estatística revelou diferenças significativas entre os grupos após a oitava sessão e também no acompanhamento realizado quinze dias depois do término do tratamento. Entretanto, as melhores respostas foram observadas no grupo tratado com agulhas semipermanentes.

Entre os participantes com níveis elevados de estresse, a auriculoterapia com agulhas promoveu melhora significativa já após as primeiras sessões, apresentando redução progressiva dos escores ao longo de todo o tratamento. O efeito positivo manteve-se mesmo após duas semanas do encerramento das aplicações, evidenciando um efeito terapêutico cumulativo e sustentado. Já o grupo tratado com sementes também apresentou melhora, porém com intensidade menor e início mais tardio dos resultados. Os autores discutem que a diferença entre os materiais pode estar relacionada ao tipo de estímulo oferecido. Enquanto as agulhas exercem estimulação contínua dos pontos auriculares, as sementes dependem da participação ativa do paciente, que precisa realizar pressão periódica para potencializar os efeitos terapêuticos. Esse fator pode influenciar diretamente a adesão e os resultados clínicos observados.

Outro aspecto importante abordado no estudo refere-se à viabilidade da auriculoterapia no ambiente hospitalar. Os autores destacam que a técnica apresenta diversas vantagens para programas de saúde ocupacional: é rápida, segura, de baixo custo, minimamente invasiva e pode ser realizada em poucos minutos, sem interferir na rotina de trabalho dos profissionais. Além disso, requer poucos recursos materiais e pode ser facilmente incorporada às estratégias institucionais de promoção da saúde. A pesquisa também reforça a fundamentação ética e legal da atuação da enfermagem nas práticas integrativas. O artigo destaca a Resolução COFEN nº 197/1997, que reconhecia as terapias complementares como especialidade de enfermagem, bem como a Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC), que consolidou a acupuntura como prática multiprofissional no Sistema Único de Saúde.

Os autores concluem que a auriculoterapia é uma intervenção eficaz para redução do estresse em profissionais de enfermagem, especialmente quando realizada com agulhas semipermanentes. Os resultados demonstram que a técnica pode contribuir para a promoção da saúde mental, melhoria da qualidade de vida e prevenção do adoecimento ocupacional, oferecendo uma alternativa complementar relevante para os serviços de saúde.

Importância do artigo para as PICS e a Enfermagem

Este estudo foi uma das primeiras investigações nacionais a comparar diferentes formas de estimulação auricular em um ensaio clínico randomizado, demonstrando cientificamente que tanto agulhas quanto sementes podem reduzir o estresse, embora as agulhas apresentem resultados mais expressivos e duradouros.

A pesquisa possui importância histórica para a enfermagem por demonstrar a viabilidade da utilização das Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PICS) dentro do ambiente hospitalar, fortalecendo a atuação do enfermeiro acupunturista e ampliando o reconhecimento científico da auriculoterapia como estratégia de promoção da saúde ocupacional.

Além disso, os resultados serviram de base para diversos estudos posteriores conduzidos pela própria autora e por outros pesquisadores, contribuindo para a consolidação da auriculoterapia como uma das práticas integrativas mais investigadas no Brasil.

Palavras-chave

Auriculoterapia; Estresse Ocupacional; Enfermagem; Saúde do Trabalhador; Acupuntura Auricular; Práticas Integrativas e Complementares em Saúde; Medicina Tradicional Chinesa; Saúde Mental; Terapias Complementares; Qualidade de Vida.

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