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Ensaio clínico randomizado demonstra a eficácia da auriculoterapia na redução do estresse em estudantes de enfermagem, fortalecendo as práticas integrativas em saúde.

Escrito por Leonice Fumiko Sato Kurebayashi

Eficácia da Auriculoterapia para Diminuição de Estresse em Estudantes de Enfermagem: Ensaio Clínico Randomizado

Autores: Juliana Miyuki do Prado, Leonice Fumiko Sato Kurebayashi, Maria Júlia Paes da Silva Revista Científica: Revista Latino-Americana de Enfermagem (RLAE) – Rev. Latino-Am. Enfermagem. 2012;20(4). DOI: link Link para o artigo original (PDF da revista): link

Resumo Expandido

Este estudo clínico randomizado, simples cego, avaliou a eficácia da auriculoterapia chinesa na redução dos níveis de estresse em estudantes de enfermagem de nível médio da Escola de Enfermagem São Joaquim do Hospital Beneficência Portuguesa, em São Paulo. A pesquisa comparou os efeitos da auriculoterapia verdadeira com um grupo placebo/Sham e um grupo controle sem intervenção, contribuindo significativamente para o fortalecimento científico das Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PICS).

Participaram do estudo 71 estudantes de enfermagem com níveis médio, alto e altíssimo de estresse, avaliados pela Lista de Sintomas de Stress de Vasconcellos. Os participantes foram distribuídos aleatoriamente em três grupos: grupo controle, grupo auriculoterapia e grupo placebo/Sham. O grupo auriculoterapia recebeu aplicação dos pontos Shenmen e Tronco Cerebral, reconhecidos na Medicina Tradicional Chinesa por suas propriedades calmantes e reguladoras emocionais. Já o grupo placebo recebeu estimulação em pontos considerados teoricamente não relacionados ao tratamento do estresse, localizados nas regiões do punho e ouvido externo.

As sessões foram realizadas semanalmente com agulhas semipermanentes, sendo os participantes avaliados antes do tratamento, após 8 sessões, após 12 sessões e em follow-up de 15 dias após o término das aplicações.

Os resultados demonstraram redução estatisticamente significativa dos níveis de estresse no grupo tratado com auriculoterapia verdadeira em comparação ao grupo controle, já a partir da oitava sessão. A melhora alcançou até 45,39% de redução dos sintomas de estresse após 12 sessões, mantendo resultados positivos mesmo após o período de follow-up.

O grupo placebo também apresentou melhora parcial dos sintomas, com redução de 34,18%, levantando importantes reflexões metodológicas sobre a dificuldade de estabelecer pontos verdadeiramente neutros na auriculoterapia e na acupuntura. O estudo discute que determinados pontos considerados Sham podem produzir respostas fisiológicas e energéticas inesperadas devido à complexa inervação do pavilhão auricular e às diferentes escolas de auriculoterapia existentes no mundo.

Além da avaliação clínica, o artigo apresenta uma importante discussão sobre os fatores de estresse vivenciados pelos estudantes de enfermagem, incluindo ansiedade em estágios práticos, medo de cometer erros, dificuldades emocionais frente ao sofrimento humano, sobrecarga acadêmica e dificuldades de conciliar estudo, trabalho e vida pessoal.

A pesquisa também reforça o reconhecimento ético e legal da acupuntura e auriculoterapia como especialidade da enfermagem brasileira, fundamentando-se nas resoluções do Conselho Federal de Enfermagem (COFEN), que regulamentam a atuação do enfermeiro acupunturista no Brasil.

Os achados contribuíram para consolidação da auriculoterapia como estratégia complementar segura, de baixo custo e potencialmente eficaz para promoção da saúde mental, prevenção do adoecimento emocional e melhoria da qualidade de vida de estudantes e profissionais da área da saúde.

Importância científica e histórica do artigo

Este estudo tornou-se uma importante referência científica nacional sobre auriculoterapia aplicada ao estresse em estudantes de enfermagem, especialmente por utilizar metodologia de ensaio clínico randomizado com grupo placebo/Sham, modelo considerado padrão ouro em pesquisas clínicas.

A pesquisa trouxe contribuições relevantes para a discussão metodológica em acupuntura e auriculoterapia, especialmente sobre as limitações dos modelos placebo nas terapias energéticas e integrativas. O estudo também reforçou a importância da saúde mental dos estudantes de enfermagem e ampliou a produção científica brasileira em Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PICS).

Além disso, o artigo fortaleceu o reconhecimento científico da auriculoterapia realizada por enfermeiros, contribuindo para a consolidação histórica da acupuntura como especialidade multiprofissional no Brasil.

Palavras-chave

Auriculoterapia; Estresse; Estudantes de enfermagem; Saúde mental; Medicina Tradicional Chinesa; Acupuntura auricular; Práticas Integrativas e Complementares; Enfermagem integrativa; Ansiedade; Burnout acadêmico.

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