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Acupuntura, fitoterapia e alimentação no tratamento da dor: o que a ciência diz sobre neuromodulação e sistema nervoso autônomo

Escrito por Leonice Fumiko Sato Kurebayashi

Como práticas integrativas atuam no controle da dor crônica

O tratamento moderno da dor crônica tem evoluído para uma abordagem mais completa e individualizada. Hoje, entende-se que a dor não depende apenas de uma lesão física, mas resulta da interação entre:

  • sistema nervoso
  • inflamação
  • fatores emocionais
  • estilo de vida

Nesse contexto, práticas como acupuntura, fitoterapia e alimentação terapêutica vêm sendo amplamente estudadas por sua capacidade de atuar na neuromodulação da dor e na regulação do sistema nervoso autônomo (SNA).

Neuromodulação da dor: o papel do sistema nervoso autônomo

A neuromodulação refere-se à capacidade de regular a forma como o sistema nervoso percebe e responde à dor. Um dos principais sistemas envolvidos nesse processo é o sistema nervoso autônomo, responsável pelo equilíbrio entre:

  • sistema simpático (alerta, estresse)
  • sistema parassimpático (relaxamento, recuperação)

O desequilíbrio desse sistema está frequentemente associado à dor crônica.

Acupuntura e sistema nervoso: como funciona na prática

Estudos mostram que a acupuntura atua diretamente em múltiplas áreas do sistema nervoso, incluindo:

  • medula espinhal
  • córtex pré-frontal
  • ínsula
  • amígdala
  • hipotálamo
  • substância cinzenta periaquedutal (PAG)
  • núcleos autonômicos

Essa ativação promove:

  1. regulação do sistema nervoso autônomo
  2. redução da inflamação
  3. melhora de disfunções viscerais
  4. alívio da dor

(Li et al., 2022; Pang et al., 2023; Niruthisard et al., 2024)

Neuroquímica da acupuntura: ação profunda no organismo

Além da ação neural, a acupuntura também influencia a liberação de substâncias importantes para o controle da dor, como:

  • opioides endógenos
  • serotonina
  • noradrenalina
  • endocanabinoides

Também atua no eixo neuroendócrino (HPA) e reduz mediadores inflamatórios como COX-2 e PGE2, promovendo analgesia tanto central quanto periférica (Lin et al., 2022; Niruthisard et al., 2024).

Fitoterapia e fitoquímicos: ação natural na modulação da dor

A fitoterapia também exerce um papel importante na neuromodulação da dor. Compostos naturais presentes nas plantas — como capsaicina, canabidiol, flavonoides e outros metabólitos — atuam em diferentes mecanismos:

  • modulação de canais iônicos (Na⁺, Ca²⁺, TRP)
  • ação anti-inflamatória
  • efeito antioxidante
  • regulação do sistema neuroimune

Esses efeitos contribuem para a redução da dor, especialmente em quadros crônicos e neuropáticos (Singla et al., 2023; Kim et al., 2025; Sič et al., 2024). Além disso, estudos mostram que os fitoquímicos atuam na sensibilização periférica e central, um dos principais mecanismos envolvidos na cronificação da dor (Kim et al., 2025; Sič et al., 2024).

Alimentação e dor: como a dieta influencia o sistema nervoso

A alimentação é um dos pilares mais importantes no controle da dor crônica. Revisões científicas mostram que dietas baseadas em alimentos integrais estão associadas à redução significativa da dor. Entre os padrões mais estudados:

  • dieta mediterrânea
  • dietas vegetarianas e veganas
  • dietas ricas em ômega-3
  • dietas com restrição calórica

Essas abordagens ajudam a reduzir:

  • inflamação sistêmica
  • estresse oxidativo
  • disfunções metabólicas (Field et al., 2020)

Dieta e dor neuropática: evidências atuais

Em pacientes com dor neuropática, intervenções nutricionais específicas mostram benefícios importantes, como:

  • melhora da qualidade de vida
  • redução da inflamação
  • melhora da função neurológica
  • redução da carga da dor

(Cominelli et al., 2025)

Neuro nutrição: uma abordagem inovadora

Surge, nesse cenário, o conceito de neuro nutrição, que propõe o uso de nutrientes como aliados no tratamento da dor.

Entre os principais compostos estudados:

  • melatonina obtida pela alimentação
  • polifenóis
  • antioxidantes naturais

Esses elementos atuam como adjuvantes em estratégias terapêuticas personalizadas e multimodais (Cominelli et al., 2025).

Um novo olhar: o paciente como um sistema dinâmico

A ciência atual compreende a dor crônica como resultado de:

  • neuroplasticidade maladaptativa
  • alterações neuroimunes
  • desequilíbrio do sistema nervoso autônomo

Por isso, o tratamento precisa ser individualizado e integrativo (Varrassi et al., 2025).

Modelos modernos recomendam avaliar diferentes dimensões da dor:

  • dor nociceptiva
  • dor neuropática
  • dor central
  • fatores emocionais e psicossociais
  • movimento e funcionalidade

E combinar abordagens como:

  • acupuntura
  • intervenções nutricionais
  • fitoterapia
  • terapias físicas
  • educação em saúde
  • relação terapêutica (empatia e vínculo)

(Billet et al., 2024)

Conclusão: integração é o caminho no tratamento da dor

As evidências científicas mostram que práticas como acupuntura, fitoterapia e alimentação terapêutica atuam diretamente nos mecanismos da dor, promovendo:

  • neuromodulação central e periférica
  • regulação do sistema nervoso autônomo
  • redução da inflamação
  • melhora global do paciente

Essa abordagem integrada reforça um conceito essencial: o paciente deve ser visto como um sistema dinâmico, e o tratamento deve ser personalizado.

Referências

  1. Billet B, Goudman L, Rigoard P, Billot M, Roulaud M, Verstraete S, et al. Effect of neuromodulation for chronic pain on the autonomic nervous system: a systematic review. BJA Open. 2024;11:100305. doi:10.1016/j.bjao.2024.100305.
  2. Cominelli G, Sulas F, Pinto D, Rinaldi F, Favero G, Rezzani R. Neuro-nutritional approach to neuropathic pain management: a critical review. Nutrients. 2025;17(9):1502. doi:10.3390/nu17091502.
  3. Field R, Pourkazemi F, Turton J, Rooney K. Dietary interventions are beneficial for patients with chronic pain: a systematic review with meta-analysis. Pain Med. 2020. doi:10.1093/pm/pnaa378.
  4. Kim S, Chung G, Kim S. Phytochemical-based therapeutics from traditional eastern medicine: analgesic effects and ion channel modulation. Front Pain Res. 2025;6:1537154. doi:10.3389/fpain.2025.1537154.
  5. Li Y, Li W, Wang S, Gong Y, Dou B, Lyu Z, et al. The autonomic nervous system: a potential link to the efficacy of acupuncture. Front Neurosci. 2022;16:1038945. doi:10.3389/fnins.2022.1038945.
  6. Lin J, Kotha P, Chen Y. Understandings of acupuncture application and mechanisms. Am J Transl Res. 2022;14(3):1469-1481.
  7. Niruthisard S, Q, Napadow V. Recent advances in acupuncture for pain relief. Pain Rep. 2024;9:e1188. doi:10.1097/PR9.0000000000001188.
  8. Pang L, Chen X, Lan Y, Huang Q, Yu X, Qi L, et al. Research progress of acupuncture analgesia based on autonomic nerve regulation pathway. Acupunct Herb Med. 2023;3:285-295. doi:10.1097/HM9.0000000000000087.
  9. Sič A, Manzar A, Knezevic N. The role of phytochemicals in managing neuropathic pain: how much progress have we made? Nutrients. 2024;16:4342. doi:10.3390/nu16244342.
  10. Singla R, Guimarães A, Zengin G. Application of plant secondary metabolites to pain neuromodulation, volume III. Front Pharmacol. 2023;14:1166272. doi:10.3389/fphar.2023.1166272.
  11. Varrassi G, Leoni M, Farì G, Al-Alwany A, Al-Sharie S, Fornasari D. Neuromodulatory signaling in chronic pain patients: a narrative review. Cells. 2025;14:1320. doi:10.3390/cells14171320.

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