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Fitoterapia Chinesa para Redução de Estresse, Ansiedade e Melhoria de Qualidade de Vida: Ensaio Clínico Randomizado

Escrito por Leonice Fumiko Sato Kurebayashi

Ensaio clínico randomizado avalia os efeitos da fitoterapia chinesa Gan Mai Da Zao na redução do estresse, ansiedade e melhoria da qualidade de vida.

Autores: Leonice Fumiko Sato Kurebayashi, Ruth Natalia Teresa Turrini, Gisele Kuba, Miki Hoshi Minamizawa Shimizu, Raymond Sehiji Takiguchi Revista Científica: Revista da Escola de Enfermagem da USP (REEUSP) – Rev Esc Enferm USP. 2016;50(5):855-862. DOI: Link Link para o artigo original (PDF da revista): Link

Resumo Expandido

Este estudo clínico randomizado, controlado e duplo-cego avaliou os efeitos da fitoterapia chinesa na redução dos níveis de estresse, ansiedade e na melhoria da qualidade de vida de adultos saudáveis atendidos no Instituto de Terapia Integrada e Oriental (ITIO), em São Paulo.

A pesquisa foi desenvolvida a partir dos fundamentos da Medicina Tradicional Chinesa (MTC), considerando a crescente prevalência do estresse crônico na população mundial e os impactos fisiológicos, emocionais e neuroendócrinos associados ao excesso de estresse e ansiedade. O estudo também se insere no contexto das recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS) para ampliação das pesquisas envolvendo Medicina Tradicional Chinesa e terapias integrativas seguras e eficazes.

Participaram do ensaio clínico 89 voluntários com níveis moderados e altos de estresse, distribuídos aleatoriamente em três grupos: Controle (sem intervenção), Placebo e Fitoterapia. Após as perdas de seguimento, 71 participantes concluíram a pesquisa. Os grupos de intervenção receberam, durante três semanas, solução placebo ou a fórmula chinesa Gan Mai Da Zao (GMDZ), composta pelas ervas tradicionais Gan Cao (alcaçuz), Fu Xiao Mai (trigo) e Da Zao (jujuba).

A fórmula Gan Mai Da Zao é classicamente utilizada na Medicina Tradicional Chinesa para sintomas relacionados à ansiedade, irritabilidade, alterações emocionais, distúrbios do sono, episódios depressivos e desequilíbrios associados ao Shen (Mente), especialmente em quadros relacionados à deficiência de Sangue do Coração, estagnação de Qi do Fígado e deficiência energética do Baço.

Os participantes foram avaliados antes e após o tratamento pela Lista de Sintomas de Stress de Vasconcelos (LSS), Inventário de Ansiedade Traço-Estado (IDATE) e instrumento de qualidade de vida SF12v2.

Os resultados demonstraram redução estatisticamente significativa dos níveis de estresse no grupo Fitoterapia quando comparado ao grupo Controle. A análise ANOVA identificou diferença significativa no pós-tratamento (p=0,025), confirmada pelo teste de Tukey (p=0,022). O grupo tratado com fitoterapia apresentou redução de 18% dos níveis de estresse, com tamanho de efeito considerado grande pelo Índice d de Cohen.

Entre os sintomas que melhor responderam à fitoterapia destacaram-se: redução de náuseas (68%), melhora da oscilação de apetite (41%), redução da exaustão física (28%), diminuição de pesadelos (28%) e melhora de sintomas relacionados à memória e esquecimento.

O estudo também apresenta importante discussão neurofisiológica e farmacológica sobre os possíveis mecanismos de ação das ervas chinesas. O alcaçuz (Glycyrrhiza uralensis) demonstrou potencial influência sobre o metabolismo do cortisol, hormônio diretamente relacionado ao estresse crônico. Já os componentes da jujuba (Ziziphus jujuba) apresentaram efeitos sobre neurotransmissores ligados à ansiedade, ao sono e ao sistema glutamatérgico cerebral. Além dos aspectos biomédicos, o artigo correlaciona os sintomas avaliados aos diagnósticos energéticos da Medicina Tradicional Chinesa, discutindo alterações relacionadas ao Coração (Xin), Baço (Pi), Fígado (Gan), Rim (Shen) e perturbações do Shen (Mente). O estudo reforça a importância da abordagem integrativa e personalizada no cuidado em saúde mental.

Outro aspecto relevante da pesquisa foi a análise crítica do efeito placebo em terapias integrativas, discutindo fatores neurobiológicos, emocionais e relacionais envolvidos no cuidado terapêutico. As autoras refletem sobre como acolhimento, expectativa positiva e vínculo terapêutico podem influenciar significativamente os resultados clínicos em saúde integrativa.

Importância científica e histórica do artigo

Este estudo representa uma das primeiras pesquisas clínicas brasileiras randomizadas e duplo-cegas envolvendo fitoterapia chinesa no contexto da enfermagem e das Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PICS).

A pesquisa contribuiu significativamente para a produção científica nacional em Medicina Tradicional Chinesa, especialmente ao investigar mecanismos clínicos, fisiológicos e energéticos relacionados à fitoterapia oriental em seres humanos.

Além disso, o artigo fortalece o reconhecimento científico da fitoterapia chinesa como recurso complementar potencialmente eficaz para manejo do estresse e promoção da saúde mental, ampliando o diálogo entre racionalidades biomédicas e sistemas tradicionais de cuidado.

O estudo também possui relevância institucional por ter sido desenvolvido no Instituto de Terapia Integrada e Oriental (ITIO), contribuindo para consolidação da instituição como espaço de pesquisa clínica em Práticas Integrativas e Complementares.

Palavras-chave

Fitoterapia chinesa; Medicina Tradicional Chinesa; Estresse; Ansiedade; Qualidade de vida; Saúde mental; Práticas Integrativas e Complementares; Fitoterapia oriental; Gan Mai Da Zao; Enfermagem integrativa.

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