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Chás que ajudam a reduzir a ansiedade

Escrito por Leonice Fumiko Sato Kurebayashi

Chás que acalmam: o que a ciência diz sobre plantas ansiolíticas

Ansiedade, estresse e dificuldade para dormir fazem parte da vida moderna. Não por acaso, muitas pessoas recorrem a chás calmantes que fazem parte da cultura popular há séculos.

O que a ciência vem mostrando é interessante: várias dessas plantas realmente possuem ação no sistema nervoso central (SNC), com mecanismos que começam a ser compreendidos — especialmente ligados à modulação do sistema GABA, o principal sistema inibitório do cérebro, associado à sensação de relaxamento.

A seguir, veja o que a literatura científica descreve sobre algumas das plantas mais consumidas no cotidiano.

Passiflora incarnata (maracujá): ansiedade e sono

A Passiflora incarnata é uma das plantas com melhor evidência científica para ansiedade leve e distúrbios do sono.

Revisões e ensaios clínicos descrevem efeito ansiolítico, sedação leve e melhora da qualidade do sono, geralmente sem prejuízo cognitivo relevante (Janda et al., 2020; Kaźmierczyk et al., 2024; Madavi & Chaudhary, 2024).

Em estudos odontológicos, o extrato de Passiflora mostrou redução de ansiedade comparável ao midazolam em procedimentos cirúrgicos simples, com menos sonolência residual (Dantas et al., 2017; Christoffoli et al., 2021).

Do ponto de vista biológico, a ação está associada à modulação de receptores GABA_A, com flavonoides como crisina e apigenina participando desse efeito (Dhawan et al., 2001; Savage et al., 2018; Dias et al., 2024).

Em termos simples: ajuda a “baixar o volume” do sistema de estresse.

Valeriana officinalis: tensão nervosa e insônia

A valeriana é tradicionalmente usada para tensão nervosa e dificuldade para dormir.

Revisões mostram melhora subjetiva do sono e redução de sintomas ansiosos, especialmente com extratos padronizados da raiz (Sánchez et al., 2021; Shinjyo et al., 2020; Mhaske, 2025).

Seus compostos ativos, como o ácido valerênico, atuam como moduladores do sistema GABA, favorecendo relaxamento com menor sedação intensa quando comparado a hipnóticos farmacológicos (Murphy et al., 2010; Savage et al., 2018).

Atua mais como regulador do relaxamento do que como sedativo pesado.

Melissa officinalis (erva-cidreira): ansiedade + sintomas digestivos

A erva-cidreira é interessante porque une ansiedade e sintomas gastrointestinais — combinação muito comum em pessoas ansiosas.

Ensaios clínicos mostram melhora de ansiedade leve a moderada, estresse, dificuldade de sono e sintomas digestivos funcionais (Zam et al., 2022; Shakeri et al., 2016; Bano et al., 2023; Pasyar et al., 2025).

Os mecanismos incluem modulação do sistema GABA, efeitos antiespasmódicos e ação sobre a excitação autonômica (Stojanović et al., 2021; Shakeri et al., 2016).

Ajuda o intestino e a mente ao mesmo tempo.

Camomila (Matricaria chamomilla): calmante suave

A camomila aparece em revisões científicas como planta com potencial ansiolítico leve.

Estudos clínicos e revisões de fitoterápicos GABAérgicos mostram redução de ansiedade, inclusive em contextos compatíveis com transtorno de ansiedade generalizada (Savage et al., 2018; Dias et al., 2024).

Calmante suave, útil como apoio diário.

Quando chás ajudam — e quando procurar ajuda

Essas plantas têm melhor evidência em ansiedade leve, estresse cotidiano e distúrbios leves do sono. Não substituem tratamento médico em casos moderados ou graves, mas podem integrar estratégias de cuidado dentro das práticas integrativas e complementares em saúde (PICS).

Importante: plantas também são farmacologicamente ativas. Podem interagir com álcool, antidepressivos, benzodiazepínicos e outros depressores do SNC. Gestantes, idosos e pessoas com doenças crônicas devem procurar orientação profissional.

Referências

  1. Bano A, Hepsomali P, Rabbani F, Farooq U, Kanwal A, Saleem A, et al. The possible calming effect of Melissa officinalis extract in healthy adults. Front Pharmacol. 2023;14. Acesse
  2. Christoffoli MT, Bachesk A, Farah GJ, Ferreira GZ. Passiflora for conscious sedation during third molar extraction. Quintessence Int. 2021. Acesse
  3. Dantas LP, de Oliveira-Ribeiro A, de Almeida-Souza LM, Groppo FC. Effects of Passiflora incarnata and midazolam. Med Oral Patol Oral Cir Bucal. 2017;22:e95-e101. Acesse
  4. Dhawan K, Kumar S, Sharma A. Anti-anxiety studies on Passiflora. J Ethnopharmacol. 2001;78:165-170. Acesse
  5. Dias P, Gama A, Machado R, Nascimento-Silva N. Medicinal plants in anxiety treatment. Caderno Pedagógico. 2024. Acesse
  6. Janda K, Wojtkowska K, Jakubczyk K, Antoniewicz J, Skonieczna-Żydecka K. Passiflora systematic review. Nutrients. 2020;12. Acesse
  7. Kaźmierczyk I, Bychowski M, Kwaśna J, et al. Passiflora adjunctive treatment. Quality in Sport. 2024. Acesse
  8. Madavi S, Chaudhary P. Review on Passiflora incarnata. Int J Pharmacogn Pharm Sci. 2024.
  9. Mhaske T. Valeriana officinalis review. Int J Res Appl Sci Eng Technol. 2025.
  10. Murphy K, Kubín Z, Shepherd J, Ettinger R. Valeriana anxiolytic effects. Phytomedicine. 2010.
  11. Pasyar N, Aghababaei M, Rambod M, Zarshenas MM. Melissa officinalis anxiety trial. BMC Complement Med Ther. 2025.
  12. Sánchez M, González-Burgos E, Iglesias I, Cuadrado M. Valeriana update. Mediterr Bot. 2021.
  13. Savage K, Firth J, Stough C, Sarris J. GABA phytomedicines for anxiety. Phytother Res. 2018;32:3-18.
  14. Shakeri A, Sahebkar A, Javadi B. Melissa officinalis review. J Ethnopharmacol. 2016.
  15. Shinjyo N, Waddell G, Green J. Valerian root meta-analysis. J Evid Based Integr Med. 2020.
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  17. Zam W, Quispe C, Sharifi-Rad J, et al. Melissa updated review. Front Biosci. 2022.

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